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Jô Soares: a trajetória pelo teatro, cinema e pela TV

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Eleições Jô Soares ‘Rensga Hits!’ Diesel mais barato Piso de enfermeiros Jô Soares: a trajetória pelo teatro, cinema e pela TV Com personagens como Capitão Gay e Reizinho, e bordões como 'tem pai que é cego…', o escritor, ator e diretor deixou obras marcantes na cultura nacional. Por g1

05/08/2022 09h15 Atualizado 05/08/2022

1 de 4 Eliezer Motta e Jô Soares caracterizados como Carlos Suely e Capitão Gay — Foto: Acervo Grupo Globo Eliezer Motta e Jô Soares caracterizados como Carlos Suely e Capitão Gay — Foto: Acervo Grupo Globo

Jô Soares era especialista em criar personagens: do seu trabalho surgiam tipos curiosos, que retratavam com humor o cotidiano brasileiro. Foram tantos personagens que, segundo ele, parou de contar quando chegou no número 200.

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Escritor, ator e diretor, Jô morreu na madrugada desta sexta-feira (5), em São Paulo, aos 84 anos. E deixou uma obra extensa não só na TV, mas também no teatro e no cinema, que marcaram a cultura nacional.

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Nos anos 1950, ele participou dos filmes “Rei do movimento” (1954), “De pernas pro ar” (1956) e “Pé na tábua” (1957), e se destacou na chanchada “O homem do Sputnik”, de 1959, dirigido por Carlos Manga. Na mesma época, fez a sua estreia no teatro, na peça “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, e “Oscar”, em 1961, de Claude Magnier, e com Cacilda Becker e Walmor Chagas

2 de 4 Jô Soares caracterizado como o personagem Zé da Galera — Foto: Acervo Grupo Globo Jô Soares caracterizado como o personagem Zé da Galera — Foto: Acervo Grupo Globo

O grande primeiro destaque na TV foi em “A família Trapo”, pela TV Record, exibido entre 1967 e 1971. Jô começou escrevendo roteiro, ao lado de Carlos Alberto Nóbrega, e ganhou um papel, o mordomo Gordon. O elenco contava com Otello Zeloni, Renata Fronzi, Ricardo Corte Real, Cidinha Campos e Ronald Golias

Pela TV Record, escreveu “Simonetti Show” e atuou em programas como o “La Reuve Chic”, “Jô Show”, “Quadra de Azes”, “Show do Dia 7″ e “Você é o Detetive”

Ainda entre 1960 e 1970, dividiu a TV com o teatro. Dirigiu peças como “Soraia” e “Posto 2”, em 1960, de Pedro Bloch, “Os sete gatinhos”, de Nelson Rodrigues em 1961, “O estanho casal”, de Neil Simon, em 1967, com Lima Duarte, ainda Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, em 1969, com a participação de Regina Duarte

‘Viva o Gordo’

3 de 4 Jô Soares caracterizado como o personagem 'Reizinho' — Foto: Acervo Grupo Globo Jô Soares caracterizado como o personagem 'Reizinho' — Foto: Acervo Grupo Globo

A partir dos anos 1970, e por 17 anos, Jô ficou na TV Globo. Foi roteirista e protagonista do programa “Faça humor, não faça a guerra”, ao lado de Renato Corte Real, e textos também assinados por Max Nunes, Geraldo Alves, Hugo Bidet e Haroldo Barbosa. Foram mais de 260 personagens

Também participou dos humorísticos “Satiricon”, “Globo Gente”, “O planeta dos homens”, até ganhar seu próprio programa, “Viva o Gordo, com Max Nunes, onde fazia críticas à ditatura militar, em meio a sátiras sobre o cenário político brasileiro

Entre os personagens, estava Reizinho, de estatura baixa e ego imenso, trouxe o bordão “Sois rei!”. Apareceram figuras como Capitão Gay, e seu grito de guerra “Cansei!” e Zé da Galera, que como bom brasileiro da época não poupava broncas ao técnico da seleção brasileira Telê Santana, e os bordões “tem pai que é cego…” e “a ignorância da juventude é um espanto” e “beijo do gordo!”

As críticas ao cenário político brasileiro estiveram também nas suas obras no teatro durante essa década. De 1980, a peça “Brasil, da censura à abertura”, escrita por ele e por Armando Costa, era inspirada nas anedotas sobre a política brasileira do jornalista Sebastião Nery, e tinha Marília Pêra, Marco Nanini, Sylvia Bandeira e Geraldo Alves no elenco

Estrelou, também, espetáculos de humor como “Ame um Gordo Antes que Acabe”, em 1976, “Viva o Gordo e Abaixo o Regime!”, de 1978, “Um Gordoidão no País da Inflação”, em 1983, “O Gordo ao Vivo”, em 1988

Foi neste ano que Jô estreou, no SBT, o talk-show “Jô – Onze e Meia”, programa exibido até 1999

4 de 4 Jô Soares manda “beijo do gordo” em programa de despedida — Foto: Globo/Ramón Vasconcelos Jô Soares manda “beijo do gordo” em programa de despedida — Foto: Globo/Ramón Vasconcelos

Jô voltou a TV Globo nos anos 2000, com o “Programa do Jô”, que ficou no ar até 2016, além de retornar ao teatro, em 2003, quando dirigiu a peça “Frankenstein’s”. Na sequência vieram a adaptação de “Ricardo III”, “Às Favas Com Os Escrúpulos”, “O Eclipse”, “A Cabra ou Quem é Silvia?” e “Happy Hour”, além de ter estrelado “Na mira do gordo”, em 2007

O último trabalho no teatro foi em 2018, com a peça “A noite de 16 de janeiro”. Ele ainda trabalhava para colocar nos palcos “O Livro ao Vivo”, obra adaptada de sua autobiografia “O Livro de Jô”, lançada em 2017

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